segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Discursos bem-ditos!


Sempre vejo alguns vídeos, fotos e textos na internet cujos conteúdos são um tanto quanto desnecessários. Acompanhando tais materiais, acabo encontrando comentários do tipo: "maldita inclusão digital". Realmente, alguns desses textos/vídeos/fotos são totalmente dispensáveis, mas não pela maneira como foram produzidos, e sim pelo conteúdo que possuem. Nesse caso, tenho a absoluta certeza que a inclusão digital não é a culpada,

Felizmente, a internet concedeu visibilidade para as pessoas que antes não tinham a possibilidade de serem ouvidas/lidas/vistas. Confesso que, assim como muita gente, já fui preconceituoso na questão da linguagem, contudo, confesso também que era por ignorância. Hoje, pelo contrário, compreendo que a linguagem é, puramente, comunicação e, como tal, não se baseia somente num conjunto de normas gramaticais, mas sim na capacidade de fazer com que compreendam o que estamos querendo dizer.

As redes sociais, por exemplo, possibilitaram que o discurso fosse desinterditado, ou seja, os discursos que antes eram “evitados” por serem considerados “pobres” e “burros” pelo simples fato de não obedecerem às gramaticalidades, passaram a ser lidos/ouvidos.

Não é novidade para ninguém, que, no Brasil, o poderio da comunicação está concentrado nas mãos de poucas famílias, que decidem quais informações os brasileiros devem, ou não, ter conhecimento. Dessa maneira, um modo de manter o status quo, é condenar a disseminação de conteúdos por quem não sabe “dizer” da maneira “correta”, a saber: o pobre. Lógica burguesa capitalista, não?

Depreciar conteúdos produzidos por quem, por diferentes motivos, não domina as normatividades ortográficas é, no mínimo, uma atitude ditatorial. É basicamente dizer: “por favor, você que não sabe a norma culta, não se expresse”. É negar o direito à comunicação.

Por favor, você que está entre os meus contatos do facebook, não me faça ter vergonha de tê-lo por aqui. Não seja ridículo a ponto de menosprezar discursos gramaticalmente incorretos. Acreditem, já vi/li muita gente letrada dizer/escrever besteiras colossais e, em contraponto, já tive oportunidade de aprender muito com quem não sabia sequer escrever. Sou totalmente a favor da liberdade discursiva, pois só assim a expressão das diversidades aparece.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Sobre os zumbis

Bonito ele não era. Talvez, sua aparência fosse, no máximo, agradável. Sabia que podia melhorar, mas isso exigiria tempo (que ele não tinha pra desperdiçar), dinheiro (que ele não tinha pra gastar), paciência (que ele não conhecia o significado) e, o mais complicado: vontade.

Inquestionavelmente receoso, jamais atrapalhava a vida dos outros (morria de medo de ser inconveniente). Dormir, para ele, poderia não ter aquela parte chata: acordar. Por natureza, era sonhador. Parecia uma criança de tanto que sonhava – mesmo sabendo que nenhum de seus sonhos se tornaria realidade.

Um dia, sem querer, se apaixonou. E, acreditem se puderem, a única coisa incrivelmente maravilhosa que a paixão – não correspondida - trouxe para ele, foi a capacidade de morrer e convencer a todos que ainda continuava vivo.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Goteiras


Chove em Curitiba, mas o que molha é o meu travesseiro.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sobre cozinhar


Nada estava dando certo
Então ele resolver cortar cebolas.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Aqui jaz uma quimera.


A porta poderia ser aberta, os dois lances de escada e o humilde corredor poderiam ser vencidos, mas não, o corpo encontra-se estático, imóvel, parado.

Não! Ele ainda não morreu. O sujeito ao qual me refiro sente-se apenas impotente...incapaz, vencido. A velha história “perdi a batalha, mas não a guerra”, sentido algum faz. Guerra não houve, batalha muito menos, afinal, o embate em questão só seria possível com a existência de um adversário.

Gritar, talvez um berro desesperado pudesse...Não, aqui por essas terras todos são surdos.

Desvia o olhar, constrói barragens para segurar a cachoeira que verte dos olhos que deveriam ser cegos...desiste.

Talvez se fosse mais sincero. Talvez se parasse com o medo de ser inconveniente. Talvez se existisse de verdade. Talvez, talvez, talvez...nunca consegue sair dessa relativização.

Quando o inverno romper a linha que o separa da estação anterior, novamente as roupas pesadas sairão do baú empoeirado para desfilar sozinhas pelas ruas.

Ele gostaria de hibernar, deixar a letargia dominá-lo e, finalmente, sumir por alguns meses. Sonhava ser apenas um animalzinho endotérmico de pequeno porte.

Contudo, eu sempre o questiono: “Qual o motivo disso?”.

É preciso fazê-lo perceber que somente os cegos, como o que ele se tornou, seriam incapazes de perceber que o irresponsável coração vandalizado já não pode mais hibernar...morreu.


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Conformada


Mamãe já dizia: “Filhinha, os homens não prestam, são todos iguais”. Porém, eu não acreditava, sabia que existia, em algum lugar, um príncipe, que logo viria em busca de sua amada princesa, eu, no caso. E ele veio. Ah, Heitor era o seu nome, romântico, inteligente e educado. Começamos a namorar, e o amei. Após seis meses de namoro, no ápice da minha paixão, descobri que o meu amado, havia me traído. O odiei.

Hoje, completo quinze anos de casada, tenho um belo filho e uma vida estável. Meu marido já me traiu duas vezes, o tempo me ensinou a esquecer. Contudo, continuo descordando de mamãe, os homens não são iguais, veja o meu exemplo, conheci dois homens em minha vida, um chamado Heitor, e o outro Max. Viu só mamãe, existe uma diferença: o nome.


Recordações.


O ranger da porta antes inexistente, os móveis cobertos com lençóis brancos, havia esquecido do piano – nunca mais ouvi uma nota sequer.

Pó, os rostos valiosos esquecidos dentro dos porta-retratos de madeira. Aos poucos reconheço alguns caminhos por onde passei, mas sei que alguns ainda fugirão de mim, afinal, sou uma velha novidade aqui.

A chave, quase não conseguiu abrir a porta...ferrugem.

Quando trancamos um pedaço do que um dia fomos nós, temos de destrancar um pedaço do que seremos.

Caso contrário, seremos esquecidos, e o pior, por nós mesmos.

- Acho que é chegada a hora de abrir as janelas e deixar o coração bater novamente.