
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Aqui jaz uma quimera.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Conformada

Recordações.

O ranger da porta antes inexistente, os móveis cobertos com lençóis brancos, havia esquecido do piano – nunca mais ouvi uma nota sequer.
Pó, os rostos valiosos esquecidos dentro dos porta-retratos de madeira. Aos poucos reconheço alguns caminhos por onde passei, mas sei que alguns ainda fugirão de mim, afinal, sou uma velha novidade aqui.
A chave, quase não conseguiu abrir a porta...ferrugem.
Quando trancamos um pedaço do que um dia fomos nós, temos de destrancar um pedaço do que seremos.
Caso contrário, seremos esquecidos, e o pior, por nós mesmos.
- Acho que é chegada a hora de abrir as janelas e deixar o coração bater novamente.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Borracho esclarecido.

A madrugada pode ser surpreendente, ainda mais quando você bebeu muito e não está bêbado! Ok! Você agora vai dizer que eu estava bêbado e sequer sabia. Eu discordo, afinal, acabei de voltar “da madrugada”, e estou escrevendo este texto.
Estou há mais de 20 (vinte) horas sem dormir. Isso mesmo! Quase um dia! E tive reflexões impressionantes neste período de tempo. Bebendo na sarjeta com um amigo – colega – que conheço há apenas 2 meses, percebi situações que outrora nunca havia notado. Falando um pouco sobre nós, sobre como nos sentiríamos e agiríamos em situações “x” ou “y”, constatei muita indefinição. Questionado sobre minhas possíveis atitudes em certos possíveis momentos, afirmei que agiria de tal maneira, contudo, meu cérebro delatava – para ele mesmo – que eu não tinha certeza sobre aquilo, que estava respondendo perguntas baseado em probabilidades ou, muito provavelmente, por desejar agir daquela maneira.
Agora, após uma pausa no diálogo sobre ocasiões possíveis, obtive uma percepção – viagem – interessante. Clarice Lispector, certa vez, discorreu sobre como nós seríamos se fossemos realmente quem somos. “Se eu fosse eu”, é o texto que relata a reflexão acima citada. Afirma a autora, que se nós fossemos nós, talvez os amigos nem nos cumprimentariam na rua, visto que poderíamos estabelecer padrões de comportamento que hoje são considerados inaceitáveis por nossos meios sociais. “Beleza! Isso ela já escreveu! Você vai plagiar, Igor?”. Não, muito pelo contrário, pois, foi somente a partir deste mote que Clarice nos deixou, que acabei por me encontrar sem mote algum. Explicarei: “se eu fosse eu, acho que não faço a menor idéia de quem eu seria”. “Ai, calma, tive ‘rebosteio’ mental” (sim, eu tive). Se eu fosse eu, eu não sei o que seria, eu não consigo me imaginar sendo eu, entende? Eu não sei dizer como agiria se eu pudesse ser eu – sim, eu não sei. Não posso pelo simples fato de não saber o que ser. Acredito que me relativizei demais, me questionei demais e respondi de menos, usei muito “será?” no pensamento. Clarice que me desculpe, mas, para mim, respostas são fundamentais e, no momento, não tenho absolutamente nenhuma para me dar.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Amnésia desejada.

No dia seguinte, sem desprezar o pensamento que havia tido, resolveu pensar sobre a crueldade existente na capacidade de raciocínio. Chegou à conclusão de que não era crueldade todos terem permissão para refletir, mas que era de maldade ímpar deixar que cada um pudesse se colocar como objeto para se pensar. Para ele, isso era uma condição dolorosa. Poder se analisar, se questionar, se comparar e se perceber era tudo o que ele não queria. “Que eu saia de meus pensamentos!”, era o que desejava com mais freqüência. Queria ser Macabéa, mas sem o final digno de estrela que ela teve. Queria ser anônimo, para sempre, para si. “Auto-ignorância deve ser uma dádiva”, afirma o descontente.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Enquanto as pálpebras não se fecham...
Lembro-me de quando era mais moço. Toda noite, antes de dormir, eu me imaginava um herói do desenho “x-man” – adorava a animação. Eu tinha um pouco de cada um dos personagens, mais ou menos uma junção de todos os que faziam parte da extraordinária equipe do professor Charles Xavier. Sinto falta de conseguir desejar essas (bobagens?).
Hoje, talvez, se eu fosse criança - e tivesse a consciência de que crescer não vale a pena - confesso que faria de tudo para aproveitar cada segundo daquela fase mágica. Contudo, fico pensando: é possível uma criança ter consciência de que a infância é a melhor parte da vida? Acho que não! Afinal, seria muito cruel permitir a uma pessoinha de 7 ou 8 anos, saber que somente nessa época de sua estadia entre os vivos, sua felicidade seria pura, completa e, irremediavelmente, concreta.
Não quero que pensem, caros amigos leitores, que sou um depressivo em estágio pré-manicomial, apenas gostaria que notassem que sou um nostálgico em estágio pré-menstrual (?) (seria ótimo poder justificar todo esse aperto esquisito no peito com três letras: TPM).
A chuva cai lá fora, eu olho para o guarda-roupa e penso no que vestir amanhã se estiver chovendo; a Laila Dominique – minha gatinha – insiste em tentar dormir dentro do meu armário - é a terceira vez em meia hora que a tiro de lá. Minha mãe - exausta de jogar paciência no computador - dorme com a TV ligada no quarto. E eu aqui, acordado, pensando em como me livrar, sem grande estresse, das atividades que me aguardam amanhã no trabalho; pensando em como terminar a faculdade; pensando em como conhecer, em Curitiba, alguém interessante para se namorar. Enfim, pensando em como me tornar um super herói, com poderes reais, que sejam capazes de transformar 24 horas de um dia em 48, pois para conseguir levar uma vida social boa ao ponto de conhecer a pessoa exata, trabalhar e, ainda por cima, fazer um curso superior, só mesmo tendo dois dias dentro de um.
Realmente, fazendo uma avaliação dos pensamentos pré-sono – quero frisar que este texto é mais um desses pensamentos - consigo perceber que gosto muito mais das alucinações de herói que tinha na infância. Não que eu queira fugir da vida adulta - longe de mim ter medo – queria apenas que ela fugisse de mim, queria que a vida adulta, ao se deparar comigo, agisse com covardia.
É, não é por nada não, mas acho que está na hora de dormir. Boa noite.